Para muitos, videogames ainda são associados a uma diversão de pessoas sedentárias. A realidade, porém, é diferente e hoje em dia os jogos eletrônicos são usados como ferramentas de ginástica e terapia, incluindo aqui no Brasil onde já há até empresas dedicadas exclusivamente a produzir títulos focados na área de saúde.
Desde outubro de 2008 a clínica de Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) adotou o Wii como ferramenta em terapias de reabilitação. A ideia veio do professor Fábio Navarro Cyrillo, que por sua vez se inspirou na Universidade McGill, do Canadá, que também usa o videogame como instrumento terapêutico.
Fábio explica que "o console é utilizado como um recurso adicional ao programa de reabilitação, por exigir que os jogadores executem movimentos que ajudam a reconquistar o equilíbrio, coordenação, resistência e força muscular, além de estimular a atividade cerebral e aumentar a capacidade de concentração".
O principal game utilizado nos tratamento é o "Wii Fit", título da Nintendo que visa exatamente a ajudar o usuário a se manter em forma.
Além da UNICID, o Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, também em São Paulo, e o Hospital Vita, em Curitiba, também são exemplos de clínicas no Brasil que utilizam videogames como formas de ajudar pacientes a recuperarem de problemas de saúde.
Na clínica da UNICID, em São Paulo, o 'Wii Fit' é usado na clínica de Fisioterapia |
Jogos como terapia
Enquanto vemos instituições adotando games como instrumentos de trabalho, há também no país aqueles que se dedicam a criar este tipo de jogo. Uma destas empresas é a FisioGames, fundada em julho de 2009 em Florianópolis. "Acreditávamos que poderíamos produzir jogos que não apenas divertissem mas que também promovessem o bem-estar humano, combinando entretenimento, educação e saúde", explica Daniel San Martin, diretor e produtor do estúdio. "Logo após ser criada, a empresa foi incubada no Pólo Santa Catarina Games e hoje integra a vertical da saúde da ACATE, grupo que congrega as principais empresas de tecnologias para saúde de Santa Catarina", conta ele.
O primeiro e principal título da produtora é o "Funphysio", software para a área de fisioterapia que utiliza um joystick com sensor de movimento como controle e ajuda na recuperação de membros superiores. O game foi desenvolvido em quatro meses e teve apoio de Juliana Barcelos de Souza, Phd. em Fisioterapia.
Outro exemplo de produtora também dedicada à área de saúde é a Medialab, criadora do "Jecripe", game com exercícios que estimulam o desenvolvimento de crianças com Síndrome de Down. O game teve um período de desenvolvimento de dez meses e acompanhamento da fonoaudióloga Sílvia Brandão.
Uma versão demonstrativa, com três atividades, se encontra disponível gratuitamente no blog oficial do game e ainda não está sendo comercializado. "Estamos trabalhando em busca de outras parcerias para desenvolver novos módulos e atividades para o JECRIPE; consequentemente, o modelo de comercialização para o produto final ainda não está definido, já que isso depende das parcerias que forem consideradas adequadas", conta André Luiz Brandão, responsável pelo game.
Além disso, o "Jecripe" será utilizado também como ferramenta de pesquisa. André explica que "está sendo criado um consórcio de laboratórios de pesquisa para trabalhar com o produto". "O jogo será ponto de partida para uma discussão mais ampla do uso desse tipo de ferramenta no auxílio ao desenvolvimento de crianças com necessidades especiais", conclui.
No exterior, uma das iniciativas recentes que mais chama a atenção é o "Didget", para Nintendo DS, produzido pela Bayer - isso mesmo, a fabricante de remédios. Trata-se de um cartucho acompanhado de um acessório que é um medidor de glicose para portadores de diabetes. O periférico se encaixa na entrada de cartuchos de Game Boy Advance e atua em conjunto com o game, premiando o jogador com pontos extras conforme ele realiza os testes de glicose nos horários indicados.
Indicado para crianças, o "Didget" foi lançado em 2009 na Europa pelo preço sugerido de US$ 75 dólares e chega em maio aos Estados Unidos. No site oficial é possível ver uma demonstração do aparelho, permitindo inclusive escolher entre três versões distintas: para crianças, profissionais da área de saúde e pais de crianças com diabetes.
Retirado do site uol:
http://jogos.uol.com.br/
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